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Os Dois Grandes Mandamentos


Na última semana antes da sua crucificação, os conflitos entre Jesus Cristo e os líderes religiosos em Jerusalém chegaram ao seu auge. Jesus respondeu com sua sabedoria divina a todas as perguntas, frustrando um adversário após outro. Mateus nos diz que, depois de vários destes encontros, “os fariseus sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?” (Mateus 22:34-36). Enquanto Marcos sugere certa sinceridade da parte do escriba que perguntou (veja Marcos 12:32-34), é provável que outros fariseus esperassem que Jesus tropeçasse nesta pergunta. Como eles exaltavam alguns mandamentos e negligenciavam outros, talvez imaginassem uma oportunidade para acusá-lo mais uma vez de desrespeitar o sábado ou alguma regrinha deles sobre a purificação cerimonial.

Independente dos motivos dos interrogadores, a resposta do Mestre merece a nossa atenção: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mateus 22:37-40). Algumas observações sobre este texto nos ajudarão a fazer o uso correto destas palavras do Senhor.

1) Jesus não citou dois da lista dos “Dez Mandamentos” do Antigo Testamento. Talvez os fariseus esperassem que ele destacasse o sábado ou alguma outra lei sobre o comportamento externo do homem, mas Jesus respondeu de outra maneira. As palavras que ele citou não vêm dos Dez Mandamentos e sim, de passagens menos conhecidas. A instrução de amar a Deus vem de um dos últimos discursos de Moisés (Deuteronômio 6:5). E o segundo mandamento vem do meio de uma lista de instruções sobre o tratamento de outras pessoas (Levítico 19:18).

2) Jesus claramente viu Deus acima do homem, e o serviço a Deus acima de causas humanitárias. Isso não diminui a importância de servir aos outros, que é claramente de grande importância no ensinamento bíblico, mas nos lembra da prioridade necessária. Os contextos destas citações frisam o fato fundamental de que “o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Deuteronômio 6:4; Marcos 12:32). As noções dominantes no ecumenismo moderno, que buscam um denominador comum nas obras de caridade e diminuem a importância da conversão ao único verdadeiro Deus, afrontam diretamente o Deus que merece o nosso amor absoluto e incondicional. O primeiro mandamento é amar a Deus!

3) É impossível amar a Deus sem amar aos outros. Um dos apóstolos de Jesus escreveu: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 João 4:20).

4) Estes mandamentos não vêm da Lei, a Lei vem destes mandamentos. Sim, estes mandamentos aparecem nos livros da Lei do Antigo Testamento, mas Jesus explica a relação entre estes e os outros mandamentos: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mateus 22:40). A Lei reflete o caráter daquele que o deu: “Deus é amor” (1 João 4:8). Ao invés de entender estes dois mandamentos como parte de um código moral, devemos entender que todas as revelações de Deus, sejam mandamentos dados no Antigo Testamento para os israelitas ou mandamentos dados por Jesus para todas as pessoas, dependem destes princípios que vêm da própria natureza de Deus.

Jesus não nega a importância de obedecer às outras instruções do Novo Testamento, mas nos lembra que qualquer exigência divina se baseia no caráter de Deus. Desta maneira, entendemos que o amor ao Senhor inclui obediência a todas as instruções que ele nos deu. O mesmo Jesus esclareceu este fato quando disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” e “Quem não me ama não guarda as minhas palavras” (João 14:15,24).













 
 
 

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